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Loulou

Loulou

"Remembering childhood"

É incrível como uma simples foto... que nem sequer é nossa, mas de tão cativante, tão hipnotizante que é (para mim é certo) nos consegue prender e trazer-nos memórias antigas.

Escusado será dizer que a desenhei à medida que ia desfiando essas mesmas memórias. Memórias duma infância vivida na casa dos meus avós. Deixo aqui o texto que, em tempos escrevi e, no fim, o meu desenho!

Ao contrário da maioria das crianças que anseiam por ter um animal para companhia, eu quando nasci já tinha em casa... ora deixa cá ver... uma gata, uma cadela, peixes, hamsters que se reproduziam que nem coelhos e claro um casal de canários! E ainda... há sempre um e ainda... na casa dos meus avós... um pato, perus, coelhos, rolas, três gatas, etc... todos eles animais de estimação. Todo o animal que naquela casa entra-se haveria de morrer de doença ou velhice nunca no prato...

Bons tempos...

Tinha à volta dos 4 ou 5 anos e numa ida com a minha mãe ao antigo mercado de Benfica, encontramos à venda uns pintos... Mas não eram uns pintos quaisquer eram uns pintos às cores. Ou seja, em vez do tradicional amarelo, eram azuis, rosa, amarelo mais intenso e senão me engano verde... Contam-me mais tarde que estanquei de malas e bagagens, ao pé da banca e só de lá saí com a minha meia dúzia de pintos coloridos...

Foram para a varanda e lá passava eu horas ao pé deles...

Foram crescendo, mudando de cor e a sua estadia na nossa casa estava a ficar incomportável. E para onde é que foram? Para casa dos avós que coitados, já tinham pouco com que se entreter...

Mas estes eram especiais, não só pela sua plumagem ter sido de outra cor, tinham alterações de comportamento, muito provavelmente devendo-se ao facto de terem sido injectados com o produto que lhes coloriu as penas.

Viviam-se tempos de inocência... e para o comum dos mortais, na altura era impensável saber-se o mal que se estaria a fazer aos animais... depressa se descobriu...

Todos tinham por assim dizer uma pancada... Um deles, um dia apanhando a porta aberta que daria acesso à cozinha, entra por ali adentro e salta para dentro do tacho.... Quereria ele terminar os seus dias no prato?!!! E isto foi só uma vez? Não, sempre até morrer velhinho... outro, achava que era um coelho... Mas havia um em especial que me marcou... o galo Cunhal...

As idas a casa dos meus avós era o hapiness dos meus dias, altura em que podia "esponjar-me" à vontade, brincar, correr, mexer na terra, apanhar as flores. Enfim, experienciar aquilo que hoje muitas das nossas crianças não conhecem, como ainda fazer festinhas aos animais... será?

De penas brancas, crista vermelha o galo Cunhal, assim chamado pela minha avó devido às parecenças da melena do então dirigente de um partido conhecido, e só isso mesmo... Alto e vistoso impunha respeito a quem se atrevesse a pôr o pé no quintal. Até mesmo os outros animais o temiam...

Coitado não me conhecia... Assim que me apanhava no quintal ou melhor, assim que me avistava, começavam as nossas corridas... ora corres tu atrás de mim... ora corre o meu avô atrás de ti.... e andávamos às voltas, e voltas no quintal até ele se cansar... o que não demorava muito! Agora que penso nisto, deve ter sido por isto que... anos mais tarde no secundário, nas aulas de ginástica, era sempre chamada para as provas de sprint...

Andava tudo num virote quando aquele bichinho estava à solta no quintal... até à minha avó, pessoa a quem tinha algum respeito, um dia a bicou nas pernas... Lá andou ela em tratamentos durante algum tempo... O peru no inicio ainda tentou impor-se, mas nada, o raio do galo era maluco, até contra as flores investia... coitado...

Ainda durou alguns anitos... o que é certo é que depois da sua partida aquele quintal durante algum tempo perdeu a vida, o movimento que o "simpático" bichinho dava... Fica a memória do melhor galo armado em cão-guarda que aquele quintal conheceu!

Enfim.... memórias de outros tempos, dum tempo em que pensava viver no mundo encantado da bicharada...

Isto só cá para nós.... não é que a coisa tenha mudado muito!...

 

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Desenho a grafite - 13,5x 19,5 cm

 

 

Quanto tempo leva um desenho a ser feito...

 

... se eu lhe pedir para fazer-me um?!

 

A par doutras, esta é, talvez, a pergunta que mais me fazem.

A seguir a quanto levo (€s) por um desenho... Ora bem, quanto a esta segunda, aviso desde já que ainda não estou a fazer comissões. E sim, quero fazer. E, muito seriamente, ando a pensar, que parte desse valor vá reverter para uma associação de protecção animal. Mas se houver alguém interessado(a), por favor contacte-me!

 

Quanto tempo leva um desenho a ser feito.

 

A reposta é... depende.

Para já, aqui e agora, é-me difícil dizer, com precisão, o tempo que poderei levar por um desenho. Sei que há quem o faça já com um tempo programado e que consiga, nesse espaço de tempo estipulado, fazer autênticas obras de arte. Mas eu... como mera curiosa autodidacta e com um ritmo muito próprio, quase pareço uma tartaruga! Para quê ser lebre se depressa e bem à pouco quem.

Kiko I.jpg

Porque...

Vai depender de vários factores, tais como, o que se desenha. Um retrato ou uma paisagem requerem abordagens diferentes. Se, por exemplo, num retrato se tenta valorizar as expressões faciais, os contornos do rosto (ou focinho, se for um animal), os olhos, etc, numa paisagem valoriza-se o contexto. Na qual, acredito que não é preciso dar-se muita importância aos pormenores como a que é dada ao retrato.  

Depois, depende ainda de outro factor... Trabalho!

Pois é. Há que tentar ter-se sempre um pouco de tempo para tudo. Com jeitinho lá vou conseguindo conciliar o tempo para o desenho com o trabalho (escritório) e a família (gatos incluídos!). Mas, se há dias em que consigo arranjar um bocadinho de tempo para me assentar no meu cantinho e rabiscar qualquer coisa, outros há, em que nem tempo para sentir... o cheiro dos lápis... tenho. É quando me tempo vingar aos fins de semana! 

Kiko II.jpg

A nossa disposição...

Muito importante, se não o factor mais importante. Dizem que o desenho, pintura, é também um reflexo de quem o pintou. É certo que também é considerada uma espécie de "terapia de relaxamento". Mas será que alguém quererá ter na parede de sua casa, um quadro, ou moldura, em que estejam reflectidos sentimentos negativos. Aqueles que surgem após um dia stressante no trabalho? Não, pois não?! Também me parece que não. Para além de que desenhar em dias, de maior estafa, o resultado pode mesmo ser desastroso.

É a grafite ou a cor?

Pela minha pouca experiência, noto que, levo um pouquinho mais de tempo a desenhar a cores do que a grafite. Quanto ao grau de exigência... o mesmo.

Mas afinal quanto tempo levo?

 

E com isto não quero dizer que levo uma eternidade a ter um desenho pronto. Nada disso. O máximo que, para já, posso estabelecer como tempo... será dias. Até x dia da semana tal, penso que conseguirei ter xyz pronto.

É o que tenho tentado praticar com o que vou fazendo. Ver o tempo que, mais ou menos, levo...

Kiko III.jpg

Se, anteriormente referi que o desenho é expressão daquilo que vai na alma, então o que quero ver refletido nos meus desenhos é somente... o meu amor por aquilo que estou a fazer! Leve o tempo que levar...

Pois acredito que é realmente importante retirar prazer, e todos os benefícios que daí advém,  do que e quando se está a desenhar ou a fazer algo do qual gostamos muito.

Para a próxima apresento como ficou!

 

"Drawing takes time.

A line has time in it."

 

                                                                                                                      David Hockney

 

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  • Loulou

    awwww!!!! Muito obrigada querida! Adoro a tua suge...

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    Altamente!!!! . Uma lambidela doce...

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    Muito obrigada querida! Beijinhos

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    Ficou mesmo lindo

  • Anónimo

    Texto engraçado e desenho perfeito de alguém que a...

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