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Loulou.art

Caprichos de uma autodidata que num belo dia se lembrou de pegar nuns lápis de cor, rabiscou um gato num papel e gostou do que fez

Loulou.art

Caprichos de uma autodidata que num belo dia se lembrou de pegar nuns lápis de cor, rabiscou um gato num papel e gostou do que fez

É Natal... é Natal.... trá...lalá...lá...laaá

20.11.20

 

Que toquem os sinos, que se acendam as iluminações... porque o Nataaaaal chegou!

Oi... psiu!

Tu que estás a perder tempo a ler este post...

Até parece que ainda não tinhas reparado que as ruas estão já enfeitadas há semanas. Que as lojas estão já engalanadas com as suas decorações festivas.

Esquece isso...

Toma antes atenção a outra coisa...

Hoje é dia de post aqui no blog.

Isso sim é que é um acontecimento digno de registo! Pelo menos aqui neste recanto. 

Só... porque me apetece. 

Ou pensavas que é só a Cristina Ferreira que pode decidir, e bem, em que dia é que o programa dela vai para o ar e em que moldes?!

Isto é como o Natal... é quando o Homem quer.

Aaaahhhh pois é!

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E por falar em Natal, que chegou mais cedo este ano.

Ando aqui preocupada com uma coisa...

Sabes do Pai Natal?!

Estará ele bem?! 

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Como estarão as coisas lá pela Lapónia?! Estará também confinada?!

E os ajudantes? Estarão a cumprir as regras de distanciamento social, etiqueta respiratória e afins, ou, estarão também eles em teletrabalho?

É que uma pessoa preocupa-se com isto e já nem dorme...

20201028_170602.jpg

Agora mais a sério...

Neste ano, bissexto, de pandemia, de recessão económica, desemprego em que tudo parece correr mal e mais uns trocos...

Do qual, já  todos estamos fartos.  Das máscaras, do álcool gel, do distanciamento, do confinamento...

Do qual, sabemos, de antemão, que não vamos poder passar as festividades junto dos nossos familiares.

Do qual, muitas famílias viram e virão partir entes queridos sem que se possam despedir....

IMG_20201116_183610_629.jpg

Porque não?!

Nos agarrarmos a algo que nos alegre a vista! Nos aconchegue o coração e nos faça sentir um pouco mais motivados e resilientes para os dias que se avizinham?!  

Talvez...

As iluminações que se vão acendendo nas ruas e nas nossas casas tragam um pouco daquele quentinho tão aconchegante e reconfortante do abraço em falta. Já para não falar da árvore, que vai sendo desempoeirada e novamente decorada nos faça verter aquela lágrima que teima em cair. Aquela que nos traz tão doces e boas recordações ao revermos aquele parente que não se via à um ano.

Mas principalmente...

Quando encimares a estrela na tua árvore de Natal, te traga, também ela, a esperança de que o Amanhã vai ser melhor! Onde voltaremos, novamente, a estar todos juntos.

Vive o Natal! Pois ele já chegou.

E claro, em segurança! 

Que é para ver se nos livramos do "daquele que não se deve pronunciar o nome" o mais depressa possível!

P.S.

Se vires o Pai Natal, manda saudações minhas.

E ainda outra coisa... com esta história das festividades, distanciamento, docinhos na mesa e tal... põe também o frigorífico em confinamento senão ainda vais testar positivo... mas é para o colesterol.

Shhhiiii.... Quase que me esquecia. É mais um desenho meu, a lápis de cor.

E sim, com um gato!

Ou do que é que estavas à espera?!

Só... porque me apetece.

Aaaaaahhhh pois é!

 

 

 

 

Os gatos...

26.10.20

Gatos são criaturas gloriosas – que não podem, de modo algum, ser subestimadas. Seus olhos são profundezas inexpugnáveis dos mistérios felinos

                                                                                                                                  Lesley Ann Ivory

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Brindo-vos, se assim o entenderem, com mais um desenho! Mais uma vez um gato.

O que fazer?!

São, quanto ao desenho toca e parafaseando Camões, a minha musa inspiradora....

Tentarei nos próximos dias atualizar o blog com os últimos desenhos que tenho feito.

E sim! Está tudo bem por aqui! 

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Desenho a lápis de cor sobre folha de papel.

 

 

Blåmes... os pássaros m***

14.07.20

Vocês sabiam que na Suécia se chamam os Chapim azuis de Blåmes?!....

Maricas azuis, isto traduzido à letra.

Que despautério... 
Agora mais a sério... esta é a minha primeira vez a desenhar um pássaro, por isso sejam gentis..... com as críticas! 

20200629_162528-01.jpgDesenho a lápis de cor sobre folha de papel branca
Foto referência com permissão de Miguel Ferreira

É tempo de regresso... com mais um desenho

08.07.20
É tempo de regresso...
Não aos velhos hábitos e rotinas enraizados por gerações e gerações. Que por forças de uma circunstância maior que nós, humanidade, nos obrigaram a adaptarmos-nos a uma nova realidade. Com menos liberdades é certo. Mas até ela tem as suas virtudes.
O "surgimento" de um vírus, covid-19 de seu nome, veio-nos mostrar o quanto frágil somos, como espécie orgânica. Obrigou-nos a tomar medidas drásticas como o confinamento nas nossas casas, a estarmos afastados (nalguns casos) de quem mais amávamos, ao distanciamento social geral, ao uso generalizado de máscara e gel desinfectante... 
 
Este novo tempo... de pausa, permitiu-nos pensar. E muito! Às vezes até demais. Pois cabeças desocupadas de tarefas reflectem demais. 
Permitiu-nos, e permite-nos se assim o desejarmos, ver a vida com outros olhos. Se até aqui nos queixávamos de falta de tempo para isto e para aquilo. Pois bem, tempo foi coisa que não faltou. Talvez tenha havido tempo demais... quiçá. Tempo mal aproveitado.
 
Mas nem tudo é mau, se é que assim se pode dizer!
 
A tempestade traz a bonança, diz o povo. Sente-se no ar um novo amanhecer. Que se espera diferente do d'ontem. Se há uma coisa que esta pandemia trouxe de bom é que podemos mudar. Ainda vamos a tempo disso. Por nós, pela comunidade. E principalmente, pelo planeta. Que oportunidade fantástica nos está a ser dada para mudarmos. Como pessoas. De se enraizarem novos, mais saudáveis e ecológicos hábitos.
 
É tempo de regresso...
Do meu regresso. A esta casa, a esta comunidade. Com mais um desenho. De alguns que este tempo me permitiu fazer.
E que bem que me soube esta pausa. Dar tempo ao tempo para ter tempo para desenhar. 
 

created_image_1592672934989.pngDesenho a lápis de cor sobre folha de papel branco

 
 
 

Quem tem um tuxedo, nem sabe o tesouro que tem em casa!

09.04.20

Vocês sabiam que:

 

- os gatos tuxedo são assim chamados porque a sua pelagem apresenta duas cores (preto e branco que combinam perfeitamente com a decoração da casa e da roupa) que faz lembrar um smoking. Dando-lhes um aspecto sempre fantástico?! Logo, ter um gato de smoking no colo é fashion!!!

- que são considerados mais inteligentes que os outros gatos?!

são altamente protetores de seu próprio sistema imunológico e fogem quando se espirra ou tosse?- Shakespeare, Beethoven e Sir Isaac Newton tinham como companhia um gato tuxedo?

- que o Sylvester dos desenhos Looney Tunes é inspirado num tuxedo?- Sparky, em 1998, tornou-se no gato mais rico do mundo após o falecimento do seu tutor, ao herdar 6,3 milhões de dólares?- o único gato que escalou o Monte Everest foi um tuxedo?

- dizem que se tornam invisíveis no equinócio da Primavera ou solstício?? 

- são os melhores nadadores da família dos gatos, mesmo que odeiem água?

- foram adorados como Deuses no Antigo Egipto?

- houve um gato tuxedo na Casa Branca? Bill Clinton tinha um texudo como animal de estimação durante a sua presidência.- que a Nasa quer que o primeiro gato a ir ao espaço.... seja um tuxedo?

E por último e mais importante...

 

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- que Eu, tenho um tuxedo e que se chama Jaqui?!

😜😁🥰

Pintura a lápis de cor (polychromos, pablo e luminance) sobre folha branca (13x18cm)

A rosa...

20.02.20

[...]
- Os homens do teu planeta, disse o principezinho, cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim ... e não encontram o que procuram ...
- Não encontram, respondi...
E no entanto o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa, ou num pouquinho d'água ...
- É verdade.
E o principezinho acrescentou:
- Mas os olhos são cegos. É preciso buscar com o coração.

                                                                                                                            Antoine se Saint Exupéry

 

 

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Desenho a lápis de cor (polychromos e pablo) em papel branco (13x18 cm - Canson mixed media Imagine)

 

Não, desta vez não desenhei um gato...

Desta vez é uma flor!

Espero que gostem!

 

"A rosa"




 

 

Riscas e Rafael

23.01.20

Conhecem as aventuras do Riscas e do Rafael?!

Não????

Então do que estão à espera?!

Vá... vão lá espreitar.... O mundo felino do Riscas e do Rafael... e depois voltem para acabar de ler o post!

Combinado?!

IMG_20200118_184314_917.jpg

desenho a lápis de cor sobre folha de papel

 

Conheci a Anabela no blog do Clube..., do qual também faço parte e no qual tão poucas vezes escrevo (será que conta ainda fazer uma resolução de ano novo?). E que fala sobre tudo o que está relacionado com... GATOS! Só podia! E se eu tenho assunto para falar, com 4 pestinhas em casa... Já agora aproveito para vos lançar o repto de lá irem espreitar e... porque não participarem também?!

Estava eu a dizer... Ora, ambas somos apaixonadas por gatos, ambas temos mais que um felino em casa e ambas amamos os nossos catraios de 4 patas.

Vai daí... Num belo dia...

A Anabela quis, sem ela se ter dado conta disso, por-me à prova. Não só me pedira para desenhar os seus docinhos, o que me deixou a transbordar de felicidade por ter-me escolhido para retratar tão simpáticos e bonitos felinos, como quis que os dois ficassem na mesma folha. Nesta minha aprendizagem, quiçá, aventura pelo mundo dos lápis, o que havia desenhado até à altura, fora cada motivo na sua folha. Mesmo no caso do doce gatinho Rudolfo. Em que o retratei duas vezes. É verdade. O mesmo rapaz, igualzinho como na  foto de referência, mas em duas folhas. Se já dessa vez me senti a vacilar e a temer não ter "unhas para tocar esta guitarra" por pensar quase se tratar de uma "missão impossível", o que diria agora...

Mas é para isso que "aqui" estou. Pronta para novos desafios que me levem mais e mais além. E este seria mais um a ser carinhosamente abraçado e com todo o empenho merecido. Dois patudinhos desenhados na mesma folha. Onde não há espaço para que se cometam erros. Nenhuns. Ui... o aperto e o friozinho no estômago que senti...

Ah... mas como são fofinhos estes dois!

O Rafael pela cor da sua pelagem tornou-se bastante desafiante. Já calculara e acabou por se tornar real. Nem imaginam a quantidade de cores diferentes e impensáveis que a sua preta pelagem esconde quando reflectida à luz. O tanto que aprendi com ele! 

Feito o Rafael, chegara a vez do Riscas, o laranjinha.

O Riscas e a sua cor de pelagem já não me era, de todo, desconhecida. Já antes retratara laranjinhas, ou não tivesse também eu, cá em casa, um castiço da mesma cor. Contudo, o desafio não estava ainda ultrapassado. Só quando o acabasse é que poderia descansar...

Confesso que cheguei a pensar que o resultado não fosse ficar como inicialmente esperava. Para além de não querer defraudar quem em mim tinha confiado o desenho, eram e são sempre as minhas expectativas. E para quem é perfeccionista por natureza, estão a ver o drama. Mas, agora que o acabei e que já está naquela que irá ser para sempre a sua casa, posso dar-me ao luxo por estar...

Orgulhosa. 

Hoje estou. Por ter ultrapassado mais um desafio. Por ter subido mais um degrau nos meus conhecimento em desenho. E o meu coração... esse... ficou mais preenchido! Agora tenho mais dois docinhos, o Riscas e o Rafael, a também fazerem parte da minha vida! 

Rafael e Riscas.jpg

 

P.S. Muito obrigada Anabela! Um grande beijinho para vocês.

 

Vai uma ajudinha?!

07.11.19

Caramba... como o tempo passa depressa.

Uma pessoa ausenta-se por uns tempinhos daqui e quando volta ele é só novidades. Logo para começar as da equipa do sapo. Que nos presenteia com um espaço (homepage) renovado , novo visual, muito mais apelativo e interactivo.

Boa! Parabéns malta. Adorei! 

Está tudo tão, mas tão apetecível a estar-se aqui mais vezes, a ler, a interagir com quem por cá mora....

Mas eu sou uma espécie de ovelha negra. Só cá venho quando posso...

Não é por má vontade, ou falta dela. Preguiça, falta de motivação. Ou ainda, de não ter o que escrever e para isso mais vale não o fazer do que escrever um qualquer disparate. Falta-me sim e as vezes o tempo. E como o tempo urge e nos escorre, como que, por entre os dedos d e uma mão, mais vale, passar ao que interessa a estar para aqui com filosofias baratas.

Agora as minhas novidades....

Como já seria de calcular passam pelo desenho.

E aqui está ele...

Um pouquinho mais abaixo, mas antes preciso de vocês que ainda estão a ler!

Não sei se já repararam mas está sem título.

Verdade. Sem título. Embrenhei-me, de tal maneira, no desenho deste pequenote, que agora, quero dar-lhe um título e a inspiração... essa... foi-se. 

E é aqui que vocês entram. Preciso, muito, da vossa preciosa ajuda!

Têm sugestões?! 

 

Cão com rebuçado II .jpg

Desenho a lápis de cor sobre papel

Calculo que já tenham reparado... desta vez desenhei um cão! Para quem pensava que só desenho gatos... Penso que, até, não me saí mal de todo!

Material usado:

folha papel preta - A5 - Carb'on da Clairefontaine

lápis polychromos da Fabercastell

lápis pablos e luminance da Caran d'ache

foto referência - fonte -  pixabay

 

Fotos de como o desenho evoluiu

cãozinho com rebuçado_Louloucolors.jpg

 

cão com rebuçado_louloucolors.jpg

 

 

 

Feliz Dia do Animal!

04.10.19



“Era uma vez um pássaro. Adornado com um par de asas perfeitas e plumas reluzentes, coloridas e maravilhosas. Enfim, um animal feito para voar livre e solto no céu, e alegrar quem o observasse.
Um dia, uma mulher viu o pássaro e apaixonou-se por ele. Ficou a olhar o seu voo com a boca aberta de espanto, o coração batendo mais rapidamente, os olhos brilhando de emoção. Convidou-o para voar com ela, e os dois viajaram pelo céu em completa harmonia. Ela admirava, venerava, celebrava o pássaro.

Mas então pensou: talvez ele queira conhecer algumas montanhas distantes! E a mulher sentiu medo. Medo de nunca mais sentir aquilo com outro pássaro. E sentiu inveja, inveja da capacidade de voar do pássaro.

E sentiu-se sozinha.
E pensou: “vou montar uma armadilha. Da próxima vez que o pássaro surgir, ele não partirá mais.”

O pássaro, que também estava apaixonado, voltou no dia seguinte, caiu na armadilha, e foi preso na gaiola.

Todos os dias ela olhava o pássaro. Ali estava o objecto da sua paixão, e ela mostrava-o ás suas amigas, que comentavam: “Mas tu és uma pessoa que tem tudo.” Entretanto, uma estranha transformação começou a processar-se: como tinha o pássaro, e já não precisava de o conquistar, foi perdendo o interesse. O pássaro sem puder voar e exprimir o sentido da sua vida, foi definhando, perdendo o brilho, ficou feio – e a mulher já não lhe prestava atenção, apenas prestava atenção á maneira como o alimentava e como cuidava da sua gaiola.

Um belo dia o pássaro morreu. Ela ficou profundamente triste, e passava a vida a pensar nele. Mas não se lembrava da gaiola, recordava apenas o dia em que o vira pela primeira vez, voando contente entre as nuvens.
Se ela se observasse a si mesma, descobriria que aquilo que a emocionava tanto no pássaro era a sua liberdade, a energia das asas em movimento, não o seu corpo físico.
Sem o pássaro a sua vida também perdeu o sentido, e a morte veio bater á sua porta. “Por que vieste?” perguntou á morte. “Para que possas voar de novo com ele nos céus”, respondeu a morte. “Se o tivesses deixado partir e voltar sempre, amá-lo-ias e admirá-lo-ias ainda mais; porém, agora precisas de mim para puderes encontrá-lo de novo.”

                                                                                                                                                                  Paulo Coelho

Dia do Animal.jpg

Pintura acrílica em tela.

 

"Remembering childhood"

02.10.19

É incrível como uma simples foto... que nem sequer é nossa, mas de tão cativante, tão hipnotizante que é (para mim é certo) nos consegue prender e trazer-nos memórias antigas.

Escusado será dizer que a desenhei à medida que ia desfiando essas mesmas memórias. Memórias duma infância vivida na casa dos meus avós. Deixo aqui o texto que, em tempos escrevi e, no fim, o meu desenho!

Ao contrário da maioria das crianças que anseiam por ter um animal para companhia, eu quando nasci já tinha em casa... ora deixa cá ver... uma gata, uma cadela, peixes, hamsters que se reproduziam que nem coelhos e claro um casal de canários! E ainda... há sempre um e ainda... na casa dos meus avós... um pato, perus, coelhos, rolas, três gatas, etc... todos eles animais de estimação. Todo o animal que naquela casa entra-se haveria de morrer de doença ou velhice nunca no prato...

Bons tempos...

Tinha à volta dos 4 ou 5 anos e numa ida com a minha mãe ao antigo mercado de Benfica, encontramos à venda uns pintos... Mas não eram uns pintos quaisquer eram uns pintos às cores. Ou seja, em vez do tradicional amarelo, eram azuis, rosa, amarelo mais intenso e senão me engano verde... Contam-me mais tarde que estanquei de malas e bagagens, ao pé da banca e só de lá saí com a minha meia dúzia de pintos coloridos...

Foram para a varanda e lá passava eu horas ao pé deles...

Foram crescendo, mudando de cor e a sua estadia na nossa casa estava a ficar incomportável. E para onde é que foram? Para casa dos avós que coitados, já tinham pouco com que se entreter...

Mas estes eram especiais, não só pela sua plumagem ter sido de outra cor, tinham alterações de comportamento, muito provavelmente devendo-se ao facto de terem sido injectados com o produto que lhes coloriu as penas.

Viviam-se tempos de inocência... e para o comum dos mortais, na altura era impensável saber-se o mal que se estaria a fazer aos animais... depressa se descobriu...

Todos tinham por assim dizer uma pancada... Um deles, um dia apanhando a porta aberta que daria acesso à cozinha, entra por ali adentro e salta para dentro do tacho.... Quereria ele terminar os seus dias no prato?!!! E isto foi só uma vez? Não, sempre até morrer velhinho... outro, achava que era um coelho... Mas havia um em especial que me marcou... o galo Cunhal...

As idas a casa dos meus avós era o hapiness dos meus dias, altura em que podia "esponjar-me" à vontade, brincar, correr, mexer na terra, apanhar as flores. Enfim, experienciar aquilo que hoje muitas das nossas crianças não conhecem, como ainda fazer festinhas aos animais... será?

De penas brancas, crista vermelha o galo Cunhal, assim chamado pela minha avó devido às parecenças da melena do então dirigente de um partido conhecido, e só isso mesmo... Alto e vistoso impunha respeito a quem se atrevesse a pôr o pé no quintal. Até mesmo os outros animais o temiam...

Coitado não me conhecia... Assim que me apanhava no quintal ou melhor, assim que me avistava, começavam as nossas corridas... ora corres tu atrás de mim... ora corre o meu avô atrás de ti.... e andávamos às voltas, e voltas no quintal até ele se cansar... o que não demorava muito! Agora que penso nisto, deve ter sido por isto que... anos mais tarde no secundário, nas aulas de ginástica, era sempre chamada para as provas de sprint...

Andava tudo num virote quando aquele bichinho estava à solta no quintal... até à minha avó, pessoa a quem tinha algum respeito, um dia a bicou nas pernas... Lá andou ela em tratamentos durante algum tempo... O peru no inicio ainda tentou impor-se, mas nada, o raio do galo era maluco, até contra as flores investia... coitado...

Ainda durou alguns anitos... o que é certo é que depois da sua partida aquele quintal durante algum tempo perdeu a vida, o movimento que o "simpático" bichinho dava... Fica a memória do melhor galo armado em cão-guarda que aquele quintal conheceu!

Enfim.... memórias de outros tempos, dum tempo em que pensava viver no mundo encantado da bicharada...

Isto só cá para nós.... não é que a coisa tenha mudado muito!...

 

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Desenho a grafite - 13,5x 19,5 cm