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Loulou.art

Caprichos de uma autodidata que num belo dia se lembrou de pegar nuns lápis de cor, rabiscou um gato num papel e gostou do que fez

Loulou.art

Caprichos de uma autodidata que num belo dia se lembrou de pegar nuns lápis de cor, rabiscou um gato num papel e gostou do que fez

Feliz Dia do Animal!

04.10.19



“Era uma vez um pássaro. Adornado com um par de asas perfeitas e plumas reluzentes, coloridas e maravilhosas. Enfim, um animal feito para voar livre e solto no céu, e alegrar quem o observasse.
Um dia, uma mulher viu o pássaro e apaixonou-se por ele. Ficou a olhar o seu voo com a boca aberta de espanto, o coração batendo mais rapidamente, os olhos brilhando de emoção. Convidou-o para voar com ela, e os dois viajaram pelo céu em completa harmonia. Ela admirava, venerava, celebrava o pássaro.

Mas então pensou: talvez ele queira conhecer algumas montanhas distantes! E a mulher sentiu medo. Medo de nunca mais sentir aquilo com outro pássaro. E sentiu inveja, inveja da capacidade de voar do pássaro.

E sentiu-se sozinha.
E pensou: “vou montar uma armadilha. Da próxima vez que o pássaro surgir, ele não partirá mais.”

O pássaro, que também estava apaixonado, voltou no dia seguinte, caiu na armadilha, e foi preso na gaiola.

Todos os dias ela olhava o pássaro. Ali estava o objecto da sua paixão, e ela mostrava-o ás suas amigas, que comentavam: “Mas tu és uma pessoa que tem tudo.” Entretanto, uma estranha transformação começou a processar-se: como tinha o pássaro, e já não precisava de o conquistar, foi perdendo o interesse. O pássaro sem puder voar e exprimir o sentido da sua vida, foi definhando, perdendo o brilho, ficou feio – e a mulher já não lhe prestava atenção, apenas prestava atenção á maneira como o alimentava e como cuidava da sua gaiola.

Um belo dia o pássaro morreu. Ela ficou profundamente triste, e passava a vida a pensar nele. Mas não se lembrava da gaiola, recordava apenas o dia em que o vira pela primeira vez, voando contente entre as nuvens.
Se ela se observasse a si mesma, descobriria que aquilo que a emocionava tanto no pássaro era a sua liberdade, a energia das asas em movimento, não o seu corpo físico.
Sem o pássaro a sua vida também perdeu o sentido, e a morte veio bater á sua porta. “Por que vieste?” perguntou á morte. “Para que possas voar de novo com ele nos céus”, respondeu a morte. “Se o tivesses deixado partir e voltar sempre, amá-lo-ias e admirá-lo-ias ainda mais; porém, agora precisas de mim para puderes encontrá-lo de novo.”

                                                                                                                                                                  Paulo Coelho

Dia do Animal.jpg

Pintura acrílica em tela.

 

"Remembering childhood"

02.10.19

É incrível como uma simples foto... que nem sequer é nossa, mas de tão cativante, tão hipnotizante que é (para mim é certo) nos consegue prender e trazer-nos memórias antigas.

Escusado será dizer que a desenhei à medida que ia desfiando essas mesmas memórias. Memórias duma infância vivida na casa dos meus avós. Deixo aqui o texto que, em tempos escrevi e, no fim, o meu desenho!

Ao contrário da maioria das crianças que anseiam por ter um animal para companhia, eu quando nasci já tinha em casa... ora deixa cá ver... uma gata, uma cadela, peixes, hamsters que se reproduziam que nem coelhos e claro um casal de canários! E ainda... há sempre um e ainda... na casa dos meus avós... um pato, perus, coelhos, rolas, três gatas, etc... todos eles animais de estimação. Todo o animal que naquela casa entra-se haveria de morrer de doença ou velhice nunca no prato...

Bons tempos...

Tinha à volta dos 4 ou 5 anos e numa ida com a minha mãe ao antigo mercado de Benfica, encontramos à venda uns pintos... Mas não eram uns pintos quaisquer eram uns pintos às cores. Ou seja, em vez do tradicional amarelo, eram azuis, rosa, amarelo mais intenso e senão me engano verde... Contam-me mais tarde que estanquei de malas e bagagens, ao pé da banca e só de lá saí com a minha meia dúzia de pintos coloridos...

Foram para a varanda e lá passava eu horas ao pé deles...

Foram crescendo, mudando de cor e a sua estadia na nossa casa estava a ficar incomportável. E para onde é que foram? Para casa dos avós que coitados, já tinham pouco com que se entreter...

Mas estes eram especiais, não só pela sua plumagem ter sido de outra cor, tinham alterações de comportamento, muito provavelmente devendo-se ao facto de terem sido injectados com o produto que lhes coloriu as penas.

Viviam-se tempos de inocência... e para o comum dos mortais, na altura era impensável saber-se o mal que se estaria a fazer aos animais... depressa se descobriu...

Todos tinham por assim dizer uma pancada... Um deles, um dia apanhando a porta aberta que daria acesso à cozinha, entra por ali adentro e salta para dentro do tacho.... Quereria ele terminar os seus dias no prato?!!! E isto foi só uma vez? Não, sempre até morrer velhinho... outro, achava que era um coelho... Mas havia um em especial que me marcou... o galo Cunhal...

As idas a casa dos meus avós era o hapiness dos meus dias, altura em que podia "esponjar-me" à vontade, brincar, correr, mexer na terra, apanhar as flores. Enfim, experienciar aquilo que hoje muitas das nossas crianças não conhecem, como ainda fazer festinhas aos animais... será?

De penas brancas, crista vermelha o galo Cunhal, assim chamado pela minha avó devido às parecenças da melena do então dirigente de um partido conhecido, e só isso mesmo... Alto e vistoso impunha respeito a quem se atrevesse a pôr o pé no quintal. Até mesmo os outros animais o temiam...

Coitado não me conhecia... Assim que me apanhava no quintal ou melhor, assim que me avistava, começavam as nossas corridas... ora corres tu atrás de mim... ora corre o meu avô atrás de ti.... e andávamos às voltas, e voltas no quintal até ele se cansar... o que não demorava muito! Agora que penso nisto, deve ter sido por isto que... anos mais tarde no secundário, nas aulas de ginástica, era sempre chamada para as provas de sprint...

Andava tudo num virote quando aquele bichinho estava à solta no quintal... até à minha avó, pessoa a quem tinha algum respeito, um dia a bicou nas pernas... Lá andou ela em tratamentos durante algum tempo... O peru no inicio ainda tentou impor-se, mas nada, o raio do galo era maluco, até contra as flores investia... coitado...

Ainda durou alguns anitos... o que é certo é que depois da sua partida aquele quintal durante algum tempo perdeu a vida, o movimento que o "simpático" bichinho dava... Fica a memória do melhor galo armado em cão-guarda que aquele quintal conheceu!

Enfim.... memórias de outros tempos, dum tempo em que pensava viver no mundo encantado da bicharada...

Isto só cá para nós.... não é que a coisa tenha mudado muito!...

 

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Desenho a grafite - 13,5x 19,5 cm